Thursday, December 29, 2011

Outros tempos, outras modas

Esse tinha sido o tempo do medo,
o tempo do avô sentado no banco
corrido de madeira,
com um rosário nos dedos nodosos
entoando padres nossos e ave-marias.

Tinha sido um tempo de invernias infinitas,
um tempo de janelas tocadas de vento,
de santos pendurados nas paredes caiadas,
de vidraças sem cortinas.

Esse tinha sido o tempo do fim da inocência,
o tempo da avó, encotinhada, na enxerga de palha,
deitando contas à vida, aos bácoros paridos,
ao cântaro sem água, no canto da cozinha.

Tinha sido um tempo de morrinha,
de fumo saindo pelos telhados das casas de pedra,
de campos zurzidos pela chuva,
e galinhas soltas pelos caminhos,
um tempo de poucas palavras.
.

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