Monday, November 05, 2007

A prisioneira da lua

Carantonha de ar feroz,
animal trágico,
monstro, víbora, canibal,
escaravelho alado,
recita para mim
o estribilho atroz.

Pan! Pan! Pan!

Aconteceu mil cento
e uma vez,
num reino de outrora,
de aquém e de além mar,
de retalhos todo feito,
uma princesa sem nome
que alucinada dormia,
embebida em seus sonhos.

Foi a bela
pela noite de olhos escuros
devorada em carne viva
e definhando jovem,
muito jovem,
no seu palácio de cristal e âmbar
acreditava morrer longe,
muito longe,
dentro duma jangada africana,
perdida no mar das Caraíbas,
em pleno centro do coração atlântico.

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