Brisa que corres ao longo do rio
se vires o meu menino,
pede Amor, que em segredo murmures:
"Abandonei o castelo paterno,
onde jazia semi-morta de medo e frio,
em cansadas horas regulares de sono e passadio.
Esfarrapei meu vestido de anis e alfavaca,
empunhei longa cimitarra, pisei fétidas cloacas.
Bebi amarga cicuta! Por ti.
Aragem que sopras do salgado e doce rio,
se vires o meu menino,
manda amor que brandamente sussurres:
"Não esqueci o teu olhar brando e meigo,
as horas venturosas por entre verdes árvores.
Rouxinol e lua procuro-te e é sempre noite.
Estou triste, abandonada e só.
Meu coração roído de saudades.
Vento que brincas com as águas do rio,
se vires o meu menino,
dá-lhe notícias minhas.
Nunca nos encontramos,
por tal nunca morreremos
abraçados ao corpo das rosas,
jasmins e violetas.
Meu coração roído de saudades!
Umbigo do meu paraíso,
tormenta é o vento e meu castigo.
em rajadas sopra do Norte,
brando ergue-se do Sul.
Quando a noite cair
partirei para Oriente.
Ai Deus se te verei,
Ai Deus, por Deus sim!
2 comentários:
Admirável.
Não sei. Às vezes parece-me um pouco lamechas.
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