Monday, March 10, 2008

Fragmento LXXXIV

O primeiro-ministro Afonso Costa era um homem democrático, socialista de boa cepa e um líder incompreendido pelo seu povo. Tivesse ele levado a sua avante e Portugal teria remoçado, rejuvenescido à força de injecções legislativas e pílulas de adrenalina. O seu nome simbólico, digo maçónico, era Platão e enfrentava os fantasmas da caverna com coragem, determinação e inegável benevolência.
Legislador imparável, cientista social de primeira água (pois não media ele o mérito e a capacidade intelectual dos jesuítas com instrumentos de medição infalíveis e cientificamente comprovados?),enfim, um político latino janota e fogoso. Teria certamente tido futuro como político se não fosse surdo e cego a tudo aquilo que não fossem os seus objectivos estratégicos. Desiludido com a política portuguesa partiu para Paris onde foi presidente das delegações portuguesa à Conferência de Paz (1919) e presidiu à Sociedade das Nações (1926). Bendita Europa que acolhes os nossos falhados estadistas!
Leonardo Ventura, Memórias da I República Democrática

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