Wednesday, March 19, 2008

Fragmento XXXVIIII

Monarquia ou República? Questão política que envolve muitas outras de carácter bem mais complexo. Estado confessional ou Estado laico? Ao Estado compete gerir o património e o serviço público sem se intrometer nas questões religiosas de foro exclusivamente privado. Nem sempre assim aconteceu, infelizmente para o rei D. Carlos e o príncipe Luís Filipe. E por não ter quem lhe acudisse foi para o exílio D. Manuel II, o último rei português.
Artur Bívar, jornalista valente, monárquico-católico confessado e mais católico do que português, formulou a seguinte interrogação em forma de livro: Deus adheriu? Pergunta dum monárquico catholico e resposta dum catholico monarquico a propósito do desfecho da Restauração de Janeiro (Livraria Cruz, Braga, 1919). Aquele que melhor poderia responder à pergunta que eu saiba não deu ainda qualquer solução autorizada ou definitiva. Mas todos os indícios apontam para uma resposta positiva. A mim a questão não interessa. Tanto se me deu como se me dá. Tanto me faz. Sou agnóstico convicto e maçónico (não o sendo!). Se alguma vez tivesse que professar seria certamente terçando armas pelo deus abscôndito, esse Outro desconhecido, pregado por gregos, romanos, árabes, judeus e portugueses e sobre quem Sampaio Bruno (meu patrono) tanto discorreu. Por essa razão dispenso-me (felizmente!) de perorações mais extensas e detalhadas sobre o assunto.
Leonardo Ventura, Memórias da I República Democrática.

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