Na encosta da montanha, alvejava,
destruída e abandonada,
uma casa de pedra e cal.
Dela se abeirava toda a sorte estranha de gentes.
Invisível eu pairava
no parapeito das janelas abertas,
no interior das portas escancaradas.
Via-as passar, parar e partir
seguindo o mesmo caminho.
Em silêncio, ela sofria,
- quem era ela eu não sei -
colhia gravetos e madeira na floresta,
calafetando fendas e feridas antigas.
Em vão.
Um vento mais agreste
e outra vez a nudez surgia.
Sentada na mesa do café,
aberta e ausente,
com um copo de água fria,
a forasteira sorvia a música
e o olhar distraído dos transeuntes.
4 comentários:
Gostei imenso.
Generosidade, tolerância e boa vontade da sua parte. Agradeço muito.
Nenhuma generosidade, é mesmo merecido.
Ainda bem. Não aceito moedas falsas. Prefiro as verdades incómodas.
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