Monday, January 07, 2008

"Se todo o ser ao vento abandonamos", Sophia de Mello Breyner Andresen

Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos -
Nus, em sangue, embalando a própria dor -
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma beberá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

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