Já partira, contente, o bom pastor,
Levando a boa nova aos companheiros.
Ia através de vales e de montes,
E de escabrosos, íngremes, outeiros.
(...)
"Sede os primeiros
A ouvir a boa nova, meus amigos!
(...)
Vereis, maravilhados, dentro em pouco,
Surgir, ébria de luz e de mistério,
Nova estrela do novo nascimento.
E, então, os vossos olhos encantados
Hão-de ver, hão-de ver a nova estrela!
As águas hão de vê-la e os arvoredos,
Os rebanhos e os lobos hão-de vê-la!
É ela que vem ao mundo anunciar
O novo Deus menino, o redentor
De quem andou, perdido, no alto mar!
E, de cansado, quase morto, dorme
Sobre a praia, onde as ondas o arrastaram;
E donde, em outra idade, as mesmas ondas
Em seus líquidos braços o levaram,
Através de borrascas e relâmpagos!
"Dorme, dorme cansado... Em torno dele,
Paira faminto corvo carniceiro...
Beija-lhes os pés a espuma... E ao longe, ao longe,
Nasce a eterna manhã de nevoeiro...
Teixeira de Pascoaes, Marânus.
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