Morreu Maria Severa,
aventureira e boémia.
Que tragédia!
Mulher de vida vadia,
entretinha as más línguas,
beberricava aguardente,
mascava tabaco,
fazia teatro e cantava o fado.
Vendia sonhos ao desbarato.
A sua voz enrouquecida,
soava triste e dolente,
entre violas e guitarras
nos becos e vielas de Lisboa,
rumo ao cais e às trevas,
ao incógnito rio negro,
arabesco de nankin e noite
entre o céu e o fim,
o abismo e o recomeço.
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